NEKA GASTRONOMIA

BLOG DA NEKA

31/08/2017

Dia do Nutricionista

blog1

No dia 31 de Agosto é celebrado o dia do nutricionista, a profissão de pessoas que prezam e estão constantemente em busca do bem-estar e qualidade de nossas vidas. Para comemorar e apresentar alguns pensamentos fundamentais para o futuro desta profissão, criamos uma lista com algumas ideias que valem ser conhecidas e compartilhadas.                                               


- Promover o consumo de alimentos orgânicos e o acompanhamento da sua origem:

Nossa Chef Neka Menna Barreto apresenta uma de suas expectativas para o futuro da profissão: “Sonho que as responsabilidades atribuídas à profissão no futuro estejam além dos deveres éticos de hoje e atinjam proporções que promovam o consumo de alimentos orgânicos e o acompanhamento desde a sua origem”. Estudos divulgados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostram que o Brasil, desde 2009, é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Outro documento, resultado da pesquisa realizada pela Universidade Federal do Mato Grosso em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, mostra que foram encontrados resíduos de agrotóxicos em todas as amostras de leite materno de 62 mães que amamentaram na cidade de Lucas do Rio Verde no ano de 2010.

Existem projetos de lei que buscam maquiar o uso de agrotóxicos, produtos que segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) trazem diversos malefícios a saúde, como por exemplo: Câncer, infertilidade, impotência, abortos, malformações fetais, neurotoxicidade, desregulação hormonal e efeitos sobre o sistema imunológico. Além disso, a OMS mostra que nos próximos cinco anos, o câncer deve ser a principal causa de mortes no Brasil.

Projeto de Lei (PL) 3.200/2015, do deputado federal Luis Antonio Franciscatto Covatti (PP-RS), que veta o termo “agrotóxico”, substituindo por “fitossanitário”.

PL 6.299/2002, do então senador Blairo Maggi,  se for aprovado, a embalagem dos agroquímicos deixará de ter, por exemplo, a presença da caveira – símbolo de veneno conhecido universalmente, até mesmo por pessoas analfabetas e crianças.

 


- Preservar o consumo de alimentos nativos

O Brasil tem uma grande diversidade de frutas, legumes, verduras, grãos e outros tipos de alimentos únicos que são auxiliadores na construção de uma dieta saudável e rica em nutrientes, porém são pouco difundidos na alimentação do brasileiro, como por exemplo: oiti, jatobá, jenipapo, araça, taioba, cupuaçu, ora-pro-nóbis, jambu, physalis(camapu nome indígena) e muitas outras.


- Incentivar o maior consumo do reino vegetal

Um estudo publicado na “Cell Metabolism” revelou que dietas ricas em proteína animal na meia idade quadruplicam o risco de morte por câncer, além disso, as pessoas de meia idade também são duas vezes mais suscetíveis a mortes precoces. Em geral, mais propícias em desenvolver diabetes e obesidade.

Se 10% do consumo de proteína animal fosse substituído proporcionalmente por uma dieta variável baseada em proteínas vegetais, certamente os benefícios em longo prazo teriam impactos positivos na saúde da população. É importante lembrar que a recomendação diária indicada pela Food and Drugs Administration (FDA) é uma dieta baseada entre 11% e 15% de proteína.


- Promover o uso de plantas alimentícias não convencionais (PANC)

          Segundo nossa Chef Neka, “nossa alimentação anda muito domesticada. Imagina o quanto de nós irá melhorar se comermos uma planta que nasce espontaneamente, com certeza nascerão novas ideias espontaneamente, ideias que não são tão domesticadas”.  De forma geral, a população brasileira não conhece a variedade de alimentos e acaba atribuindo, de forma genérica, uma pequena parte dos alimentos como forma de representar o todo.

Muitas plantas que enfeitam nossos jardins podem ter funções ainda mais nobres. Estudo publicado no livro “plantas alimentícias não convencionais”, escrito por Valdely Kinupp, mostra que algumas plantas podem também oferecer benefícios à nossa saúde.   

                                                            Folha de Moringa Olifera 

Observação importante: na dúvida se a planta é realmente comestível, não consuma. Só prove se tiver absoluta certeza de que está ingerindo a planta correta.

 


- Promover o uso de alimentos não processados (não industrial - fazer o alimento).

Alimentos processados são aqueles que são modificados do seu estado natural por meio de diversos processos. Em forma geral, são alimentos que possuem muitos ingredientes artificiais, carboidratos refinados e alta quantidade de gordura e açúcar.

A escolha dos alimentos que comemos, além de influenciar no corpo e na mente, pesquisas mostram que a obesidade e a prevenção de muitas doenças também estão ligadas às escolhas alimentares e até mesmo parte da apatia é resultado das escolhas ruins. Por isso, prefira alimentos não processados, que não têm suas estruturas modificadas no processo de industrialização e mantém as vitaminas, minerais e fibras alimentares. 


- Incentivar a volta das colheres de pau nas cozinhas

As colheres de plástico quando em contato com temperaturas superiores a 130º C derretem e liberam substâncias extremamente tóxicas.

Vale lembrar que o uso de colher de pau foi banido em cozinhas com a justificativa de que a madeira retém resíduos de alimentos, porém a solução para evitar a contaminação é limpar os utensílios com escova de cerdas, água fervente, água sanitária e deixar secar ao sol. A colher de pau resgata uma rica cultura dos nossos antepassados.


Referências:

AZEVEDO, E. Alimentos Orgânicos - Ampliando Os Conceitos de Saúde Humana, Ambiental e Social. São Paulo: Senac, 2012;

WOLFF, O. O que comemos afinal?.São Paulo: Antroposofica, 2000;

GREGER, M. How not to die. Nova York, 2015;

POLLAN, M. O dilema do onívoro. Intrinseca, 2007;

KINUPP, V.Plantas alimentícias não convencionais (PANC) do Brasil, Instituto Plantarium, 2014

Recomendação de leitura:
Alice Waters on sex, drugs And sustainable agriculture.